"O coração nunca esquece o caminho de casa".
"Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas".
"Nós podemos sempre mais do que imaginamos".
Eu gosto de frases feitas. Sempre tenho aquele sentimento de alívio quando alguém que não me conhece, que nunca me viu na vida e não faz ideia do que eu estou passando, coloca em palavras aquilo que às vezes eu engasgo. Como um abraço, faz com que eu me sinta compreendida, que eu não me sinta sozinha. Então, quando eu escrevo, eu só espero fazer isso por alguém. Tão ou mais prazeroso é saber que é você quem está, inadvertida e acidentalmente, traduzindo para o português (ou para o inglês ou, quem sabe um dia, para o alemão) aquilo que alguém sequer entende que sente.
Não acho que foi por isso que eu comecei a gostar de ler. Na realidade, acho que teria sido mais pra sentir coisas diferentes das que eu sentia na vida real do que pra me identificar. Céus, não sei se teria sobrevivido ler assim tão descarada e literalmente todas as sombras que viviam na minha alma. Até hoje se eu leio algo que parece com aquela época me dá um arrepio. Como quem olha pra uma cicatriz bem feia, daquelas que quando era uma ferida aberta parecia que jamais sararia, mas que, depois de doer muito, e de se abrir de novo umas tantas vezes, quando você menos esperava, caiu a casca e deixou aquela marcca que você levaria pra sempre. E que, quem sabe, algum dia você pode contar aquela história com cara de "pois é, eu sobrevivi". Ou talvez não.
Acho que a moral da historia é que ler (e escrever) tem o poder magnânimo de fazer sentir. Seja lendo um livro de literatura fantástica dos que conseguem fazer você esquecer que ainda vive no mesmo planeta desinteressante de sempre. Seja lendo um livro de literatura erótica que te coloca numa posição inimaginável (trocadilho intencional). Seja lendo um testemunho de alguém que desnuda a alma e faz você pensar "eu sei como você se sente." E até hoje eu só encontrei uma coisa que tem o poder de me fazer sentir tanto quanto as palavras, sejam elas escritas ou cantadas.
E eu mal posso esperar pra ver ele de novo amanhã.
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