"O coração nunca esquece o caminho de casa".
"Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas".
"Nós podemos sempre mais do que imaginamos".
Eu gosto de frases feitas. Sempre tenho aquele sentimento de alívio quando alguém que não me conhece, que nunca me viu na vida e não faz ideia do que eu estou passando, coloca em palavras aquilo que às vezes eu engasgo. Como um abraço, faz com que eu me sinta compreendida, que eu não me sinta sozinha. Então, quando eu escrevo, eu só espero fazer isso por alguém. Tão ou mais prazeroso é saber que é você quem está, inadvertida e acidentalmente, traduzindo para o português (ou para o inglês ou, quem sabe um dia, para o alemão) aquilo que alguém sequer entende que sente.
Não acho que foi por isso que eu comecei a gostar de ler. Na realidade, acho que teria sido mais pra sentir coisas diferentes das que eu sentia na vida real do que pra me identificar. Céus, não sei se teria sobrevivido ler assim tão descarada e literalmente todas as sombras que viviam na minha alma. Até hoje se eu leio algo que parece com aquela época me dá um arrepio. Como quem olha pra uma cicatriz bem feia, daquelas que quando era uma ferida aberta parecia que jamais sararia, mas que, depois de doer muito, e de se abrir de novo umas tantas vezes, quando você menos esperava, caiu a casca e deixou aquela marcca que você levaria pra sempre. E que, quem sabe, algum dia você pode contar aquela história com cara de "pois é, eu sobrevivi". Ou talvez não.
Acho que a moral da historia é que ler (e escrever) tem o poder magnânimo de fazer sentir. Seja lendo um livro de literatura fantástica dos que conseguem fazer você esquecer que ainda vive no mesmo planeta desinteressante de sempre. Seja lendo um livro de literatura erótica que te coloca numa posição inimaginável (trocadilho intencional). Seja lendo um testemunho de alguém que desnuda a alma e faz você pensar "eu sei como você se sente." E até hoje eu só encontrei uma coisa que tem o poder de me fazer sentir tanto quanto as palavras, sejam elas escritas ou cantadas.
E eu mal posso esperar pra ver ele de novo amanhã.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
-e Enttäuschung (-en)
Confiar em alguém é uma das coisas mais difíceis que se pode fazer na vida. Porque, no momento em que você deposita a sua confiança em alguém, aquela pessoa toma posse também de uma coisa muito poderosa: o poder de lhe decepcionar. Aquilo em que você acredita, confia e espera com mais afinco é o que mais lhe machuca quando se revela aquém do esperado. É quem você mais ama que tem uma maior capacidade de lhe machucar.
Ser uma pessoa que sempre espera o melhor de todo mundo torna-se, então, muito doloroso às vezes. É um eterno desafio ver-se frente a uma nova pessoa, uma nova oportunidade, e procurar ver o bem e a pureza nas intenções daquele coração. Mas as pessoas são falhas. E, convenhamos, é só uma questão de tempo até que elas falhem e você se pegue pensando: "no fundo, eu esperava tão mais de você".
E dói. É quase como uma traição. E sequer faz sentido. Aquela pessoa muitas vezes nunca se declarou ser aquilo que você imaginava, mas você pintou ela com as cores que você mais gostava e é sempre duro descobrir que todo mundo tem um lado meio preto e branco.
Ser uma pessoa que sempre espera o melhor de todo mundo torna-se, então, muito doloroso às vezes. É um eterno desafio ver-se frente a uma nova pessoa, uma nova oportunidade, e procurar ver o bem e a pureza nas intenções daquele coração. Mas as pessoas são falhas. E, convenhamos, é só uma questão de tempo até que elas falhem e você se pegue pensando: "no fundo, eu esperava tão mais de você".
E dói. É quase como uma traição. E sequer faz sentido. Aquela pessoa muitas vezes nunca se declarou ser aquilo que você imaginava, mas você pintou ela com as cores que você mais gostava e é sempre duro descobrir que todo mundo tem um lado meio preto e branco.
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