Pode bater à porta. Pode fazer um escarcéu, dizer em palavras frias a raiva que lhe aquece o peito. Pode reclamar da falta de tempo, do tempo que falta, do tempo que passou.
Vai, pode bater o pé. Pode falar que não vai embora, que o passado ainda vive e que o presente quase morre. O futuro não muda. Não, não adianta chorar. Sim, eu sei que ainda dói. Ainda vai doer por um tempo. Melhor se acostumar e tentar deixar a dor ficar dormente antes de adormecer. Não, eu não quero que você tenha pesadelos.
Pode findar a calma, rasgar a alma. O rio que transborda a carne pode deixar jorrar. Mas não queira me machucar ferindo a face que ora me atina, ora me atura, mas que eu sempre adoro. Não adianta se prender ao mal que passou.
Sim, é melhor seguir. Mas, sim, você pode ficar. Pode ter certeza de que eu fico. Não, eu não vou sair do lugar. Pode gritar que nada mudou. Não, eu não sou a mesma.
Pode sorrir, pode chorar, pode sofrer, pode cantar. Pode sair, pode chegar.
Só não se atreva a entrar.
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